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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


As vezes abro a janela do meu quarto e fico a observar a paisagem diante de mim. Vários prédios em volta e um pouco adiante um grupo de árvores que balançam. Elas vão pra direita lentamente e quando alcançam seu limite voltam para a esquerda. Quando já cansadas de serem empurradas pelo vento, enrigessem e ficam inertes. Fico a imaginar o que cochicham entre si, já são bem antigas, enraizadas naquele lugar por anos, décadas, passando por gerações, vendo o que muitos não vêem. Cansado do vai e vem das árvores olho para baixo, já que moro no primeiro andar, vejo as crianças brincando, sem preocupações, até que uma delas vem em alta velocidade com a bicicleta e acaba perdendo o controle, estatela no chão. Sua mãe vem correndo em seu socorro e começa a acalmar a criança que em soluços se desespera com o sangue no joelho, no final, tudo não passou de um susto e um arranhão o qual virará história nos corredores da escola.
Um barulho de passos apressados me chama atenção e da minha janela olho pra direita onde vejo um grupo de cinco crianças, onde duas discutiam e as outras três observavam. Prestei atenção no que falavam as duas que discutiam. Era sobre "cards", onde em um jogo uma delas havia perdido mas em prantos se recusava a entregar o prêmio apostado, o qual protegia entre os dedos. E a cada momento que passava, o ganhador encurralava a outra criança na parede. Resolvi não interferir, já que as duas aparentavam ter a mesma idade e em um jogo ela tinha de ter a consciencia de que se perdesse teria de dar o prêmio. Procurei a face das outras três crianças e percebi que elas pediam com os olhos a briga iminente na situação.
Houve um empurrão, um soco, choro e aplausos, gritos, vaia, tudo em uma fração de segundo, onde o perdedor saiu correndo para casa.
Fiquei pensando se deveria ter interferido, pois eu na situação da criança desejaria um adulto a meu lado.
Enfim, nada mais estava me satisfazendo na janela, mas antes de me retirar pro quarto, reparei em infinitas janelas que faziam parte dos inúmeros prédios do condominio, refleti sobre as pessoas que dali tiravam histórias, fofocas, chochixos, pessoas que gritavam, choravam, observavam, debruçavam para fumar, sorrir, curtir a brisa ou ver os pingos de chuva.´
E acabei por me retirar sorrindo da situação, e visualisando em minha mente cada janela com uma pessoa com a cabeça para fora e espiando, pensei em que poderia passar em suas mentes e infinitas hipóteses se apossaram de mim. Por fim, me joguei na cama, peguei um livro e logo me veio o sono, com janelas rodopiando e dispersando no ar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Capítulo I


"Ele caminhava por uma estrada estreita, escura, e ladeada por arvores secas e sem vida, até chegou a pensar, como que aquelas arvores ainda permaneciam de pé. Caminhou por um bom tempo, até que avistou uma clareira, parecia estar no meio de algum bosque, ou floresta, não sabia ao certo. Andou o que pareceu uma eternidade, mas não se sentia cansado, ou solitário como havia estado nos dias anteriores. Ao chegar a clareira, se deparou com uma enorme estátua, tinha a forma de um anjo, com as asas arqueadas e a cabeça inclinada para o chão, em uma expressão melancólica, suas vestes no tom cinza da pedra, parecia uma tunica esvoaçante, parecia ter vida, e ao mesmo tempo tão morto e inerte como aquelas arvores em volta. O homem olhou tirou os olhos da estátua e os direcionou para o céu, as núves de dissipavam e dava espaço a uma grande lua cheia com uma mancha vermelha bem abaixo, ele se afastou e admirou o cenário em volta, era algo completamente novo e deslumbrante de se ver. A escuridão palpável é invadida pela luz da lua. Retornou os olhos para a estátua, mas tinha algo em seus olhos de pedra que o deixava intrigado, acompanhou a direção a qual eles olhavam, e viu o chão, somente o chão, no entanto, não era esburacado como o da estrada, mas era negro como a noite que o cercava, e de repente ele viu que não havia nada entre seus pés e o solo. A estátua se mecheu, olhando em seus olhos castanhos escuro, lhe stendeu a mão, mas o homem se deixou levar pela escuridão."

Assustou-se com o barulho do relógio que mostrava 11:00 da manhã, tinha um compromisso marcado, virtualmente, a esta hora. Ligou o computador, acessou um software de mensagem instantânea, colocou seu login e senha e em pouco menos de um minuto sua lista de contatos virtual se abriu. Tinha umas 30 pessoas na lista, no entanto, todas estavam bloqueadas com excessão de uma, que tinha o apelido de "Doce Veneno". Mas o que lhe chamou a atenção neste contato, era a exacerbada malícia com seus 17 anos de idade.

Ele disse "oi"

Doce Veneno: Olá, durmiu bem?

Ele: Sim, muito bem e pensando em você e na nossa conversa de ontem.

Doce Veneno: Você não quer se encontrar comigo? Só porque sou menor de idade?

Ele: Não me importo com leis moralistas, você tem 17 anos mas sabe muito bem o que faz. A questão é outra e não cabe a você saber qual é. Mas ja me decidi, nos encontraremos no local combinado, no parque de São Lourenço, é próximo pra você e viável pra mim.

Doce Veneno: Tudo bem, estarei lá, e como é seu nome?

Ele: Me chame de "Anjo".

Doce Veneno: Então esta noite um anjo provará um doce veneno.

O diálogo se seguiu por algumas horas, e quando finalmente desligou o computador, "Anjo", pensou consigo: "A escolha foi feita, a moeda fora jogada, mas não havia lados, e sim minha vontade e poder de persuasão, ha via um objetivo único e eficaz de se fazer presentes e perspicaz. Essa não será só mais uma, mas será a minha princesinha.